Até que ponto a geografia interfere na cultura? Para Marx, os hábitos culturais emanam da materialidade do que nos cerca (1). Mesmo que esta relação já não esteja tão aparente, já tenha sido descaracterizada pela ação do tempo, existe um ligação entre a maaneira como agimos, o jeito como vemos o mundo, e a própria existência material deste mundo que nos cerca. Esta é, grosso modo, a base do conceito de Materialismo Histórico, em Marx.

A partir desta visão é possível entender que povos diferentes têm culturas, e por consequência, visões de mundo diferentes. É a partir das grandes navegações que isso tudo começa a se confundir no mundo ocidental. Com a Moderniade então, a coisa fica acelerada como nunca. As trocas de produtos e informações cruzam o tempo unindo espaços, criando um deslocamento do tempo em que vivemos em relação a outros tempos (2).

É então que surgem as teorias do Hibridismo Cultural, criadas a partir das experiências de diásporas e entrecruzamentos de cultura, como explica Homi Bhabha, um indiano, que estudou na Inglaterra e vive nos Estados Unidos. Para ele, a fronteira é um lugar extremamente rico, de encontro. "É na emergência dos interstícios – a sobreposição e o deslocamento de domínios da diferença – que as experiências intersubjetivas e coletivas de nação [nationess], o interesse comunitário ou o valor cultural são negociados." (3)

Mas este pensamento não serve apenas para explicar diferenças grandes e históricas, como vemos. Os conceitos podem ser aplicados em outros contextos. Como no caso mostrado pela matéria feita por mim e pelo repórter cinematográfico Marco Fagundes, com imagens e sonoras de todas as partes de MInas Gerais e com edição de Roson Leite.

O material que foi ao ar na edição da oite do Jornal da Alterosa, no dia 1º de maio, mostra os diferentes falares dos mineiros, de acoro com a região em que vivem. Oinventário foi feito a partir do estudo de uma professora juizforana, como tese de doutorado. ele analisou documentos do século XIX e chegou à conclusão que o jeito de falar em uiz de Fora representa o típico falar mineiro. Sem abandonar as direfernça regionais, fruto da hibridação com os vizinhos próximos, como Bahia e São Paulo. Vale a pena conferir:



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(1) MARX, Karl e ENGLES, Friedrich. A ideologia alemã. São Paulo: Martins Claret, 2004.
(2) GIDDENS, Anthony. As Conseqüências da Modernidade. São Paulo: Editora da UNESP,. 1991
(3) BHABHA, Homi. O local da cultura. Belo Horizonte: UFMG, 1998.

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