Qual é o papel do patrimônio histórico? Assistimos à diversidade de movimentos que reinvidicam o tombamento de prédios antigos, igrejas e tudo que guarde algum vestígio de uma passado que justifique o que Anthony Giddens (1) chama de "a grande narrativa da história", uma narrativa linear, que defenda o conceito do desenvolvimento humano igual em qualquer parte do planeta.

O que o autor acredita é que esta narrativa é um mito, um tipo de verdade que pode ter funcionado em outros tempos, mas que foi definitivamente rompida com a chegada da Modernidade. Para ele, esta época é marcada pelo dispositivo do desencaixe. Duas maneiras de operação do desencaixe são as fichas simbólicas, como o dinheiro, por exemplo, e os sitemas peritos, que impregnam a vida cotidiana da pessoa comum de informações técnicas e científicas as quais ele não pode conferir por si mesmo a veracidade. Apesar de confiar no sistema de um avião, quantas pessoas podem conferir a segurança real deste equipamento?

O resultado disso é a dissociação entre espaço e tempo, uma característica intrínseca à Modernidade, que abre a porta para uma descontinuidade nunca rgistrada em outro tempo histórico. Desconfio que com a falta de refrentes que justifiquem a identidade a partir da "grande narrativa", que localiza os indivíduois no espaço e no tempo e forneceposições de sujeito estáveis, a reinvidicação de prédios e espaços antigos seja uma busca por um referencial que não possa ser transformado. É uma tentativa de recriar esta narrativa única, como um totem, que organiza a vida social do entorno.

Há quase duas semanas fiz uma reportagem sobre o assunto, mostrando a reivindicação dos moradores do bairro Bairú, em Juiz de Fora. Eles pedem o tombamento do castelinho que consideram o símbolo do bairro. Assista ao video:



(1) GIDDENS, Anthony. As Conseqüências da Modernidade. São Paulo: Editora da UNESP,. 1991

0 comentários:

Pesquisa