Assisti este vídeo hoje na aula de Comunicção e Identidades. Não precisava mais nada. Como algumas pessoas em pouco tempo conseguem resumir o conteúdo de uma vida de estudos e obsevações? Vale a pena assistir:

Oi povo! Ando meio sumido, né? Passei para deixar o vídeo de uma pequna entrevista do Henry Jenkins, o autor de "Cultura da convergência". Ele gravou isso agora há pouco, no Projac, no Rio de Janeiro, durante uma visita À TV Globo. Achei bacana porque o autor estabelece uma relação entre a rtebologia e as culturas populares, que ele considera muito ricas e fortes no Brasil.

Henry Jenkins também vai estar presente no V Seminário OBITEL, relizado nos dias 10 e 11 de agosto de 2010, na PUC-Rio. É uma boa oportunidade paa os estudiosos de televisão. O evento é gratuito e para participar é necessário entrar em contato pelo e-mail: poscom@puc-rio.br.

Oi pessoal, já escrevi aqui sobre a entrevista de Augusto Boal, o criador do Teatro do Oprimido, no filme Utopia e Barbárie, de Sílvio Tendler, que assisti neste fim de semana. Acabei me mebrando da oportunidade que tive de enrevistar o diretor e ramaturgo, que moreu no ano passado. Foi em novembro de 2005, tinha acabdo de me formar, e estava trablhando no Instituto Francisca de Souza Peixoto, em Cataguases, MG.

Eu,a Flávia, que diagramava a revista e o Thomas Zinska, um artista tcheco que fazia intercâmbio no Instituto, fomos recebidos numa tarde quente, no apartamento dele, no Arpoador, Rio de Janeiro. Em cerca de cinco horas de conversa, falamos sobre muitas coisas. Tive a oportunidade de ouvir coisas muito bacanas, tudo o que eu havia lido. Foi a primeira "grande" entrevista que fiz e tenho muito orgulho disso. Acabei ganhando uma dedicatória no meu exemplar de "Teatro do Oprimido".

Abaixo copio a entrevista publiada na Revista Chica, de fevereiro de 2006, que também pode ser encontrada no site do Instituto Francisca de Souza Peixoto. Pequena, por causa do pequeno espaço, mas com muita informação:

Instituto visita criador do Teatro do Oprimido

O carioca Augusto Boal é um homem do mundo. Para Richard Schechner, diretor de The Drama Review, ele conseguiu fazer o que Brecht apenas escreveu: um teatro alegre e instrutivo. Este brasileiro ganhou espaço nas principais bibliografias e é respeitado em escolas de artes dramáticas de todo o mundo. Sua maior obra é o Teatro do Oprimido, que transforma o espectador em protagonista do espetáculo. Em seu apartamento, no Rio de Janeiro, Boal recebeu a equipe da Revista Chica, em companhia do artista tcheco Tomas Zizka, para uma conversa sobre arte e política. Na oportunidade, o criador do Teatro do Oprimido conheceu o trabalho de responsabilidade social da Companhia Industrial Cataguases e ganhou um kit com produtos do Instituto Francisca de Souza Peixoto.

Revista Chica - Sabemos, segundo sua própria definição, que o Teatro do Oprimido seria um “teatro das classes oprimidas e de todos os oprimidos, mesmo no interior dessas classes”. Qual é o objetivo principal deste trabalho?

Augusto Boal - O objetivo não é formar grandes atores ou dramaturgos, mas oferecer a possibilidade máxima de expressão a todos. Trabalhamos em favelas, em hospitais psiquiátricos, em presídios, enfim, junto aos marginalizados. No Brasil, trabalhamos em mais de 100 unidades prisionais espalhadas por seis estados. Os detentos mostram a dor e a revolta através do teatro e não falando ou agredindo outras pessoas.

RC - Você trabalha com um grupo fixo, tem um espaço próprio?

AB - Passo um tempo em cada lugar. Existem grupos de Teatro do Oprimido espalhados por todo o mundo que precisam de minha orientação. O grupo com o qual trabalho diretamente no Centro de Teatro do Oprimido – CTO (na Lapa, Rio de Janeiro) é composto de oito pessoas. Cinco deles já estão comigo há mais de 15 anos.

RC - Como é desenvolvido este trabalho?

AB - Sou mais um supervisor do que um diretor, já que a característica mais marcante do teatro do oprimido é a liberdade de criação. É o protagonista quem decide o rumo do personagem.

Tomaz Zinzka - Acho importante dizer que todo o trabalho que realizo na ONG mamapapa, na República Tcheca, é baseado no seu teatro. Você conhece Praga?

AB - Estive lá por duas vezes. Uma delas quando as autoridades da ditadura militar me “convidaram” para me retirar do Brasil. Passei por lá antes de ir para Cuba. Como o Brasil não mantinha relações diplomáticas com a ilha, não era possível sair daqui direto para lá.

TZ - Você ficou exilado por quanto tempo?

AB - Saí do Brasil em 1971 e ganhei o direito de voltar em 1979. Mas só voltei realmente em 1986. Morei fora por muitos anos por causa do teatro. Na verdade, de certa forma não moro aqui. Passo mais tempo fora do país do que aqui, na minha casa.

RC - Sabemos que você foi uma figura importante na trajetória do Partido dos Trabalhadores e que apoiou a candidatura do presidente Lula desde 1989. Os escândalos que desestabilizaram a ordem interna do partido e desgastaram a figura do presidente alteram seu posicionamento?

AB - A situação é crítica. Lula fez coisas que todos os outros fizeram. É justamente esse o problema. Existe uma estrutura centenária de poder centrada na elite. Para os latifundiários, banqueiros e grandes empresários, a eleição de Lula significou uma ameaça. Mas na verdade pouca coisa mudou. Continuamos escravos. Hoje os banqueiros ganham mais do que com FHC.

RC - Mas qual é sua posição em relação às acusações de corrupção?

AB - Acho que entramos numa roda viva de acusações sem provas. Os réus são condenados sem evidências, como bodes expiatórios das situações. Isso abre uma brecha na noção de direitos civis. As pessoas mudaram, mas a estrutura do poder não. Quem era acusado ontem, acusa hoje.

RC - E com relação aos projetos sociais do governo?

AB - O governo de Lula é religioso. Muito foi feito no campo social para beneficiar milhares de famílias miseráveis. Mas tudo como filantropia, nada como política. Ajudar ao próximo é uma atitude religiosa. Atitude política é gerar emprego e capacitar mão-de-obra. Por outro lado, o governo Lula mostrou que miséria e fome ainda existem no nosso país.

Fui ao cinema hoje assistir o filme Utopia e Barbárie, do diretor Sílvio Tendler. O filme costura os principais episódios do século XX, com uma narração pontuada pela visão do diretor sobre os fatos. Ele trabalha a Segunda Guerra Mundial como início do desmonte da Modernidade e posterior aparecimento de movimentos sociais que culminaram no lendário Maio de 68, um ano que ele considera "o grande orgasmo da humanidade".

Além disso, reúne documentos e imagens da histórias das utopias do socialismo e dos pesadelos das ditaduras na segunda metade do século na América Latina. É uma pesquisa riquíssima, trabalhosa, com um roteiro muito bem costurado, enfim, indispensável. Para quem estuda e pesquisa identidades então eu diria que é essencial. Sem mais delongas.

Assista o trailer, que já dá uma ideia pequena do abarca esta obra:



E também um comentário do diretor:

Até que ponto a geografia interfere na cultura? Para Marx, os hábitos culturais emanam da materialidade do que nos cerca (1). Mesmo que esta relação já não esteja tão aparente, já tenha sido descaracterizada pela ação do tempo, existe um ligação entre a maaneira como agimos, o jeito como vemos o mundo, e a própria existência material deste mundo que nos cerca. Esta é, grosso modo, a base do conceito de Materialismo Histórico, em Marx.

A partir desta visão é possível entender que povos diferentes têm culturas, e por consequência, visões de mundo diferentes. É a partir das grandes navegações que isso tudo começa a se confundir no mundo ocidental. Com a Moderniade então, a coisa fica acelerada como nunca. As trocas de produtos e informações cruzam o tempo unindo espaços, criando um deslocamento do tempo em que vivemos em relação a outros tempos (2).

É então que surgem as teorias do Hibridismo Cultural, criadas a partir das experiências de diásporas e entrecruzamentos de cultura, como explica Homi Bhabha, um indiano, que estudou na Inglaterra e vive nos Estados Unidos. Para ele, a fronteira é um lugar extremamente rico, de encontro. "É na emergência dos interstícios – a sobreposição e o deslocamento de domínios da diferença – que as experiências intersubjetivas e coletivas de nação [nationess], o interesse comunitário ou o valor cultural são negociados." (3)

Mas este pensamento não serve apenas para explicar diferenças grandes e históricas, como vemos. Os conceitos podem ser aplicados em outros contextos. Como no caso mostrado pela matéria feita por mim e pelo repórter cinematográfico Marco Fagundes, com imagens e sonoras de todas as partes de MInas Gerais e com edição de Roson Leite.

O material que foi ao ar na edição da oite do Jornal da Alterosa, no dia 1º de maio, mostra os diferentes falares dos mineiros, de acoro com a região em que vivem. Oinventário foi feito a partir do estudo de uma professora juizforana, como tese de doutorado. ele analisou documentos do século XIX e chegou à conclusão que o jeito de falar em uiz de Fora representa o típico falar mineiro. Sem abandonar as direfernça regionais, fruto da hibridação com os vizinhos próximos, como Bahia e São Paulo. Vale a pena conferir:



Clique aqui e acesse a íntegra da pesquisa

(1) MARX, Karl e ENGLES, Friedrich. A ideologia alemã. São Paulo: Martins Claret, 2004.
(2) GIDDENS, Anthony. As Conseqüências da Modernidade. São Paulo: Editora da UNESP,. 1991
(3) BHABHA, Homi. O local da cultura. Belo Horizonte: UFMG, 1998.

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