* texto apresentado na disciplina Comunicação e Identidades, no PPPGCom/UFJF
Todo mundo já sentiu saudade de casa quando estava longe, por algum motivo. Um lugar, um cheiro, uma pessoa especial: são coisas que vão fazendo cada vez mais falta com o passar dos dias. Nunca vivi fora do país. A experiência que tenho é de quem saiu cedo da casa dos pais em busca de um sonho. Por isso não experimentei uma sensação de diáspora radical, como aqueles que precisam se mudar da cultura em que vivem porque não têm outra alternativa.
Há muitos exemplos na história da humanidade, inclusive bíblicos. Moisés convenceu toda uma nação a vagar pelo deserto durante 40 anos em busca da terra prometida, um tipo de reparação, de busca pela identidade perdida em 400 anos de escravidão no Egito. Mas hoje uma situação que vem chamando a atenção, seja pelo peso histórico, seja pela radicalidade da experiência, é o dos haitianos que vivem fora, a primeira nação de negros e o primeiro país a declarar independência na América Latina.
Depois de anos de exploração mercadológica e de sucessivas ditaduras, como conta a reportagem "A marca do exílio", de Vivian Oswald (1), muitos filhos da terra tiveram que deixar o país em busca da sobrevivência. Este movimento de diáspora, segundo a jornalista, deu início a uma corrente literária marcada pelo exílio, pela sensação de inadequação, talvez algo bem próximo do que Stuart Hall defina como “tradução”, segundo o texto “Identidade e diferença: uma introdução teórica e conceitual" (2).
A identidade, como coloca a autora, é fruto da diferença. Ou seja, o conceito é marcado muito mais pelo que não é em relação ou outro, do que pelo que é, o que evidencia um caráter não-essencialista. Assim sendo, na experiência do exílio, estes escritores têm uma visão do que não é ser um haitiano, já que são obrigados a negociar com outras identidades, muitas vezes contraditórias, durante toda a vida. E a partir disso, fortalecem a identidade haitiana, a partir da diáspora, num movimento, que segundo a reportagem, pode estar passando por mudanças, após o terremoto, em janeiro de 2010, que destruiu o pouco que havia sido reconstruído no país.
A busca pela identidade, fora da cultura seminal, é a marca desta história. Mas, em última análise, este é o processo iniciado por todo movimento geográfico. É vendo de longe, no espaço e no tempo, que nos tornamos críticos em relação a determinada cultura (nacional, local ou mesmo familiar). E são estes movimentos de diáspora, de fluxo de pessoas e bens no mundo contemporâneo, um dos motivos principais de se questionar o hoje o conceito de identidade como algo essencial, imutável, que não passa por transformações, abrindo o campo para os Estudos Culturais.
(1) OSWALD, Vívian. A marca do exílio. In: O Globo. 6 fev 2010. Prosa & Verso. p. 1
(2) WOODWARD, Kathryn. Identidade e diferença: uma introdução teórica e conceitual. In: SILVA, Tomaz Tadeu da. (org.) Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. Petrópolis: Vozes, 2000. pp. 7-72
Pauta redondinha, com produção legal. Resultado: mterial grande, com agilidade e muito bom! Para quem não viu, aí está o quadro Proteste Já! do CQC, censurado e depois liberado.
* com informações da assessoria da UFJF
Tradicionalmente, o Centro de Estudos Teatrais – Grupo Divulgação comemora o Dia Internacional do Teatro, com o "Seminário Os Caminhos do Teatro", momento de reflexão sobre as artes cênicas no Brasil e no mundo. Esse ano, o evento, que será realizado nos dias 27 e 28 de março, no Forum da Cultura, tem dupla comemoração, já que também festeja sua 25ª edição.
A programação começa com abertura no sábado (27), às 10h. Logo em seguida, Jota Dangelo fala sobre Os Caminhos do teatro em Minas. Ator, diretor e dramaturgo, ele é um dos nomes mais importantes do teatro de Minas Gerais. Na ocasião, Dangelo fará o lançamento de seu livro Os anos heróicos do Teatro em Minas, em que narra a trajetória dos grupos de teatro que se formaram e atuaram em Minas entre os anos 1950 e 1990.
No domingo (28) pela manhã, entra em cena, Bemvindo Sequeira, ator em cinema, TV e teatro. Com a palestra sobre Os caminhos do teatro pop, Bemvindo traçará um percurso por diversos tipos de teatro, do popular ao de massa . Atualmente, o ator interpreta o personagem Clemente, pai da protagonista na novela “Bela, a feia”, na Rede Record. Acesse: http://blogdobemvindo.zip.net/ e http://www2.uol.com.br/bemvindo/amor.htm.
Para os interessados em participar, as inscrições podem ser feitas de 22 a 26 de março, de 9h às 12h e de 14h às 18h, no Forum da Cultura. O 25º Seminário: Os Caminhos do Teatro é promovido pelo Centro de Estudos Teatrais – Grupo Divulgação, em parceria com a Faculdade de Comunicação e a Pró-reitoria de Extensão e Cultura da UFJF.
* da assessoria de imprensa do PPGCOM UFJF
O I Seminário Regional Sudeste de Telejornalismo é uma promoção do mestrado em Comunicação da UFJF em parceria com o Grupo de Telejornalismo da Intercom e com a Rede de Pesquisadores de Telejornalismo da SBPJor. A proposta é possibilitar aos profissionais, professores universitários, e pesquisadores maior conhecimento da produção comum sobre o telejornalismo, estimular as trocas de experiências e resultados de pesquisa, e inclusive fomentar futuras parcerias.
Após a realização do I Seminário, com a participação do Coordenador da Rede de Pesquisadores em Telejornalismo (SBPJor), Flávio Porcello, a proposta é realizar um encontro a cada mês, com apresentações de jornalistas que atuam nas emissoras de TV de Juiz de Fora e de estudiosos do telejornalismo. A organização das atividades será parte dos trabalhos do Grupo de Pesquisa em Telejornalismo Intercom-UFJF .
Confira abaixo a programação do I Seminário:
19h Abertura do Seminário – Telejornalismo como objeto de estudo e práticas
19h30 Telejornalismo, Poder e Construção do Brasil
Flávio Porcello, Lara Linhalis, Bianca Alvin e Aline Maia
20h45 Jornalismo nas emissoras de TV Local e a criação de vínculos
Iluska Coutinho, Simone Martins, Christina Musse
22h - Lançamento do Livro 40 anos de Telejornalismo em Rede Nacional. Editora Insular, 2009.
Promoção: PPGCOM UFJF
Data: 23 de março de 2010
Local: Anfiteatro da Facom / UFJF - Campus Universitário – Bairro Martelos – Juiz de Fora
Horário: 19H
É Leona. Mas poderia ser Odete, Nazaré, ou qualquer outra polarização do mal. Na lógica do melodrama, a figura do antagonista tem o papel de criar o obstáculo para o protagonista, na maioria dos casos uma mocinha, que sofre injustamente. O esquema já é conhecido por qualquer brasileiro, criado sob o signo dos dramas açucarados das telenovelas.
A diferença aqui é o suporte. "Leona, a assissina vingativa" é uma história gravada em celular, provavelmente editada num software livre, baixado na internet. Não há cenários, a história se passa numa casa. Não há figurino, a não ser a partir do segundo episódio da trilogia. E quase não há encadeamento. O roteiro é básico, improvisado pelos participantes da brincadeira. Mas o que importa para nós é a essência do modelo dramatico das telenovelas encontrado na história.
A despeito das qualidades tão alardeadas na internet e das ferramentas que a informática oferece, a trilogia, que se tornou famosa pelo site Youtube, segue padrões absolutamente comuns, uma receita que inclui traição, mentira, exagero de interpretação e muitas, muitas lágrimas. E acreditem, fez sucesso. São milhões de acessos, matérias em jornais e até shows em casas noturnas, encenados pelos protagonistas da história.
Jesús Martin-Barbero (1) explica que a televisão, como meio, está perdendo espaço para outras formas de emissão. Mas a mediação cultural exercida por ela continua intacta. E para ele, o melodrama é uma das formas que fala mais próximo à realidade da América Latina. Logo, é também mediação cultural.
Junte-se a isso a visão de Marshall McLuhan (2), para quem a comunicação é um grande sistema integrado, em que os novos meios não se sobrepõem aos antigos, mas atuam em concordância, em um novo sistema de atribuições. Para ele, quando há à disposição uma nova técnica, a tendência humana é para usá-la, primeiramente, com o objetivo de emitir antigos conteúdos, sem explorar o que a novidade pode oferecer.
Foi assim com o cinema, que de início, não explorava novas possibilidades de expressão, mas era usada apenas como utensílio, novidade técnica pitoresca. Os primeiros filmes eram praticamente cenas de teatro, filmadas do ângulo de um espectador, em um teatro com palco italiano. Só depois de Meliès o filme ganha novos significados, com os cortes. E posteriormente, com as técnicas de montagem, em Griffith e Eisenstein. Trato desta questão no livro "O delírio de Apolo: sobre teatro e cinema".
Assim também, consideramos a gramática da internet algo novo por ser construída, como mostra Janet Murray (3). Quais serão as características destes novos produtos? Até quando o que vemos na rede é mera reprodução (ou eco, no caso de "Leona") do que vemos na telinha? Este é o assunto do artigo que Flávia Crizanto e eu estamos escrevendo e vai estar disponível no blog em breve.
(1) MARTIN-BARBERO, Jesús. Dos meios às mediações: comunicação, cultura e hegemonia. Rio de Janeiro: UFRJ, 1997.
(2) MCLUHAN, Marshall. Os meios de comunicação como extensões do homem. São Paulo: Cultrix, 2002.
(3) MURRAY, Janet H. Hamlet no holodeck: o futuro da narrativa no ciberespaço. São Paulo: Itaú Cultural/Unesp, 2003.
Assista à trilogia "Leona, a assassina vingativa":
Oi pessoal! Depois de muito tempo e alguma resistência, resolvi fazer um blog. Sempre achei que poderia ser um trabalho a mais ara uma rotina já muito atarefada. Mas acabei descobrindo que pode me ajudar na organização das tarefas e funcionar como uma espécie de arquivo. Sem contar a possibilidade de troca e discussão de temas que me interessam.O nome que escolhi tem a ver com as duas coisas que mais gosto: televisão e escrita. Quero registrar e dividir aqui a minha experiência como repórter da TV Alterosa, mas discutir também as questões acerca da TV de maneira mais ampla. Aqui também é espaço de discussão acadêmica, onde vou dividir impressões e dúvidas do meu projeto do Mestrado em Comunicação da UFJF, sobre teledramaturgia. É claro, não pode faltar um bom papo, neste caso um bom texto!
Particem comigo, com comentários. Também estou no twitter.
Pesquisa
Etiquetas
- cidadania (1)
- cidade (3)
- cinema (2)
- crítica (4)
- diáspora (2)
- esporte (1)
- Estudos Culturais (4)
- história (3)
- identidade (9)
- jornalismo (6)
- melodrama (1)
- patrimônio histórico (1)
- teatro (2)
- tecnologia (3)
- televisão (10)